A propósito do Dia Mundial da Preguiça, vale a pena recordar o que disse Bertrand Russel, filósofo e matemático britânico, prémio Nobel da Literatura, no seu livro ELOGIO AO ÓCIO.

Russel, num texto que se mantém actual, proconizava um mundo em que ninguém fosse compelido a trabalhar mais do que quatro horas por dia; nesse mundo todas as pessoas teriam tempo para aprender, pintar, escrever, filosofar, contemplar.

Acima de tudo, haveria felicidade e alegria de existir, ao invés de depressão, fadiga e suicidio. Ao menos um por cento das pessoas, provavelmente, devotaria o tempo não gasto no trabalho profissional a objetivos politicos e, como não dependeriam destes objetivos para viver,seriam originais, autênticos e honestos.

Mas não é somente nestes casos do dia a dia que as vantagens do lazer se fariam sentir. Homens e mulheres comuns, tendo a oportunidade de uma vida feliz, tornar-se-iam mais gentis, menos persecutórios e menos inclinados a ver os outros com desconfiança. O gosto pela guerra desapareceria, parcialmente por esta razão, e parcialmente porque ele envolveria trabalho longo e severo para todos.

A boa índole é, de todas as qualidades, a que o mundo mais precisa, e boa índole é o resultado de segurança e bem-estar, não de uma vida de árdua luta, muitas vezes mal retribuída. Os métodos modernos de produção deram-nos a possibilidade de bem-estar e segurança para todos; escolhemos, ao invés disso, ter sobretrabalho para quase todos, privação para muitos e felicidade para alguns, poucos; neste aspecto temos sido tolos, mas ainda vamos a tempo para mudar de rumo…

 

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